sexta-feira, 30 de março de 2012

Intermináveis 3 minutos

O que dá pra fazer em três minutos? Vou deixar a resposta a critério de cada um. Parece pouco tempo para a maioria das atividades. Mas alguém já ficou em pé por 3 minutos numa escada rolante? Isso acontece em algumas estações de metrô de Moscou. Eu aproveitava este tempo para uma última lida na unidade do livro que daria em aula logo em seguida. Alguns casais achavam mais jogo dar um longo beijo enquanto outros dividiam uma barra de chocolate.
Como se vê na foto, as escadas rolantes são assim mesmo. Forma-se uma fila ao pé da escada e as pessoas vão entrando, subindo ou descendo, uma a uma do lado direito, para deixar a esquerda livre para os mais apressadinhos.
No início até gostava de observar como essas coisas funcionavam tal qual engrenagens de uma grande máquina russa, mas depois, aos poucos fui me adaptando e me inserindo cada vez mais naquele sistema. Eu era apenas mais uma peça a se encaixar no quebra-cabeça gigante.
Na estação Frunzenskaya, a escada rolante levava apenas 2 minutos para atingir a saída. Ali eu desembarcava todas as terças e quintas de manhã para aulas numa empresa. A caminhada até o prédio era bastante agradável por meio de uma feira que se instalava logo cedo. Diferentes aromas despertavam a minha curiosidade, mas esta é uma outra estória.
Num belo dia, se é que podemos chamar de belo um dia
de céu nublado com temperatura negativa e ar congelante, voltando para o metrô após as aulas, entro na estação e já me posiciono na fila para descer a escada rolante. De repente um pequeno tumulto, aglomeração de pessoas e parece que a engrenagem russa não está funcionando bem.
Lá de cima consigo ver um grupo de jovens com mochilas nas costas tomando todo o espaço na escada. Claro! Pensei comigo: aqui também há aqueles que não se encaixam no esquema. Olha só, estão bloqueando a passagem das pessoas pelo lado esquerdo. Que vergonha!
Para a alegria geral da grande nação russa, aos poucos as coisas vão voltando à normalidade, os rapazes chegam lá embaixo e a passagem é liberada.
Ainda faltam alguns segundos para eu chegar ao final da escada, mas já identifico uma língua familiar que há muito não ouvia. Sim! Português! Por quase um segundo me distraio com uma certa alegria de ver aqueles garotos, turistas brasileiros com mapas nas mãos. Mas sigo em frente sem falar com ninguém. Eles não conhecem as engrenagens da máquina local. Que vergonha!